Recolha e valorização dos óleos alimentares usados

A AREAC tem vindo a realizar estudos de viabilidade à instalação de sistemas de recolha de óleos alimentares usados nos concelhos de Montemor-o-Velho, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Miranda do Corvo, Lousã e Vila Nova de Poiares.
Nestes estudos foram caracterizados os circuitos de eliminação dos óleos alimentares usados ao nível dos grandes produtores. Foram ainda apresentados diferentes modelos de intervenção para uma futura recolha destes resíduos, ao nível das cantinas, restaurantes, escolas e sector doméstico.
Pretende-se que os óleos recolhidos sejam encaminhados para destinos ambientalmente aceites, nomeadamente para valorização energética, através da sua conversão em biodiesel.
Destaca-se, dos estudos realizados, a possibilidade de se optar por uma solução tipo “Oleão de rua” para a recolha destes resíduo. Este modelo de recolha é semelhante ao já existente para outros resíduos (papelão, vidrão).
O Município adquire os “Oleões de rua” que são colocados na via pública ou em recintos circunscritos de acesso público (ex: pátio das escolas, átrio das Juntas de Freguesia, etc.). As cantinas, os restaurantes e a população em geral têm acesso facilitado a estes contentores para colocar os seus óleos. É feito um contrato com uma empresa recolhedora certificada que é responsável pela recolha e verificação destes “óleões”.
Pelo facto de ainda não existirem no mercado nacional empresas a comercializar “oleões de rua”, a AREAC contactou algumas fábricas nacionais e estrangeiras, apresentando o seu interesse nestes equipamentos. Encontra-se a aguardar, neste momento, soluções que se enquadrem nos interesses dos municípios associados.
Numa segunda fase, a AREAC pretende realizar campanhas de sensibilização para os grandes produtores de óleos e munícipes em geral, com o objectivo de promover a recolha deste resíduos.

 

Caracterização de emissões gasosas

Com o Decreto-Lei nº 78/2004, que estabelece o regime da prevenção e controlo das emissões poluentes para a atmosfera, passa a ser obrigatório monitorizar instalações de combustão integradas em estabelecimentos industriais, comerciais ou de serviços, entre os quais os de prestação de cuidados de saúde, os de ensino e instituições do Estado.
Isto significa que, a partir de Julho de 2006, quem possuir uma caldeira (para aquecimento de edifícios, piscinas, etc.), com uma potência térmica instalada superior a 100 kW, deverá monitorizar as emissões para a atmosfera, duas vezes por ano, com uma periodicidade mínima de 2 meses entre elas. Tem ainda que cumprir os limites de emissão estabelecidos na legislação em vigor.
Neste contexto, a AREAC elaborou um protocolo de colaboração com o Centro da Biomassa para a Energia (CBE), para a realização das monitorizações necessárias neste âmbito. O CBE possui uma Unidade de Ambiente, com Laboratórios Acreditados pelo IPAC – Instituto Português de Acreditação, de acordo com a Norma NP EN ISSO/IEC 17025, para a realização de vários ensaios, utilizando normas internacionalmente reconhecidas e de acordo com os métodos referenciados na legislação, nomeadamente no Decreto-Lei em causa.

 

Análise e controlo dos consumos eléctricos nas instalações municipais

Pretende-se fornecer uma ferramenta de gestão de energia aos Municípios que permita reduzir os encargos das Câmaras Municipais com a energia eléctrica.
A metodologia utilizada neste trabalho contempla a análise dos contratos e das facturas de energia eléctrica. As alterações sugeridas prendem-se com a adequação do tarifário aplicado a cada uma das instalações, eliminação da facturação de energia reactiva através da instalação de baterias de condensadores, redução de potências contratadas e anulação de contratos em instalações desactivadas.
As alterações sugeridas mais frequentemente (alteração do tarifário aplicado e redução da potência contratada) não implicam qualquer investimento para o Município. No entanto, em algumas instalações em baixa tensão especial (BTE) e média tensão (MT) aconselha-se a aquisição de baterias de condensadores para eliminação da facturação de energia reactiva.
Foram já verificadas 89 instalações municipais em Figueiró dos Vinhos, 108 instalações em Góis, 75 instalações em Miranda do Corvo, 54 instalações em Pedrógão Grande e 68 instalações em Vila Nova de Poiares.
Os resultados deste trabalho apontam para economias médias anuais, por Município, na ordem dos oito mil e quinhentos euros.

 

Sistemas de tratamento para efluentes pecuários / Tecnologia do hidrogénio

O concelho de Montemor-o-Velho apresenta uma elevada densidade de unidades pecuárias, sendo a poluição decorrente dos estrumes e chorumes um factor corrente de preocupação.
Cada pecuária deveria conjugar a sua actividade com a agricultura local e possuir terrenos seus, ou sub concessionados, com área suficiente e características adequadas para a aplicação dos efluentes tratados, cumprindo os limites impostos pela legislação.
A deficiência de terrenos e a falta de estruturas físicas que permitam o armazenamento dos resíduos pelos períodos impostos pela legislação vigente, conduz a que os resíduos não tratados (ou com um grau de tratamento insuficiente) sejam vertidos nos terrenos agrícolas em práticas de fertilização aleatórias, com prejuízos inequívocos para o meio ambiente.
A consciencialização desta situação levou a Câmara Municipal a reunir competências com o intuito de se encontrarem soluções para o problema existente.
Participando nesta iniciativa a AREAC desenvolveu um trabalho com o objectivo de encontrar processos de tratamento que se podem aplicar a estes resíduos e visem corrigir algumas características indesejáveis, para que o produto final seja um composto com parâmetros dentro dos limites autorizados pela legislação ambiental em vigor, causando o mínimo de impacto no ambiente quando colocado para fertilização no solo agrícola.
Desta forma, apresentou-se a situação do concelho de Montemor-o-Velho a várias empresas, com experiência comprovada na concepção e construção de sistemas de tratamento para resíduos agro-pecuários, e solicitou-se a sua opinião face à viabilidade de construção de um sistema centralizado de tratamento na região.
Na sequência do trabalho desenvolvido pela AREAC surgiu a oportunidade de se instalar na região uma central de tratamento focalizada na tecnologia do hidrogénio, com a empresa AGNI Inc.
Trata-se de um processo inovador, pela elevada eficiência do sistema e pela capacidade de produzir energia eléctrica sem a emissão de gases poluentes para a atmosfera.
Chama-se pilha de combustível a um conjunto de células em série. Uma célula de combustível é um sistema electroquímico que combina o combustível hidrogénio com o oxigénio do ar para produzir electricidade, calor e água. Este processo não é poluente, pois não há nenhuma etapa de combustão envolvida. Por outro lado, como o combustível é convertido directamente em electricidade, sem etapas intermédias, a eficiência deste processo é muito mais elevada do que no caso da utilização de motores de combustão interna.

 

Sistemas de água quente solar em piscinas municipais

Portugal é um dos países da Europa com maior incidência de radiação solar, no entanto verifica-se que o mercado nacional de colectores solares térmicos tem uma dimensão muito inferior à de outros países e que o aproveitamento deste recurso renovável para aquecimento de água está longe de atingir o seu potencial.
Com vista a incentivar o aproveitamento da energia solar para o aquecimento de água, o Estado oferece incentivos financeiros e benefícios fiscais para a compra de sistemas solares térmicos.
A Medida de Apoio ao Aproveitamento do Potencial Energético e Racionalização de Consumos (MAPE) concede incentivos para a instalação de sistemas de aquecimento que utilizem colectores solares térmicos ou sistemas híbridos em que a fonte de energia solar é complementada com gás natural ou electricidade. Os incentivos podem atingir 50% das despesas elegíveis. No caso dos beneficiários serem entidades públicas, o apoio concedido é na totalidade não reembolsável.
Atenta a estas oportunidades, a AREAC tem promovido, em parceria com a empresa Solarcity–Energias Renováveis, a realização de estudos de viabilidade técnica e económica para a instalação de colectores solares em piscinas municipais dos concelhos associados.
Estes estudos foram propostos, sem encargos, a todos os associados da AREAC.
Foram realizados os projectos relativos às Piscinas Municipais de Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Lousã, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho e Pedrógão Grande.

 

Acções de sensibilização / Actividades com as escolas

A AREAC considera de primordial importância a sensibilização e formação dos jovens nas questões energéticas e ambientais, pelo que convidou todas as escolas da região a assistir a apresentações sobre ambiente, energias renováveis e eficiência energética. Estas acções têm merecido a melhor receptividade das escolas que já visitaram a Agência.
No ano lectivo 2004/2005 a AREAC promoveu um concurso que visou alertar os alunos para as potencialidades da utilização de tecnologias inovadoras de produção de energia em meio urbano, de forma a limitar a dependência dos combustíveis fósseis.
O concurso baseou-se na construção de um projecto 3D (maqueta) de uma cidade 100% a energias renováveis e destinou-se aos alunos do 3º ciclo do ensino básico. Complementarmente, foram realizadas sessões temáticas e distribuídas fichas didácticas sobre energias renováveis nas escolas.
Esta iniciativa foi acolhida com grande entusiasmo e a AREAC recebeu inscrições de 54 equipas, provenientes de escolas dos concelhos de Cantanhede, Coimbra, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Lousã, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Vila Nova de Poiares e Soure.
A exposição pública dos trabalhos, a indicação das equipas vencedoras e a atribuição dos prémios de classificação ocorreu no dia 1 de Junho de 2005, na ExpoMiranda – Feira Comercial e Industrial de Miranda do Corvo.
Os elementos da equipa vencedora (alunos e professor) receberam como prémio uma viagem com alojamento e ingresso no Parque EuroDisney em Paris. As equipas segunda e terceira classificadas receberam, respectivamente, um forno solar e um kit solar.

 

Utilização racional de energia em estabelecimentos do Ensino Básico

A melhoria das condições de conforto e o reforço da qualidade dos equipamentos das escolas do primeiro ciclo são uma das preocupações das autarquias.
No entanto, a degradação física destes estabelecimentos do ensino público e a fraca qualidade de conforto interior são evidentes em muitas zonas do país.
É essencial que os estabelecimentos de ensino básico sejam um “exemplo a seguir” relativamente à utilização racional de energia (URE), pois a implementação de medidas URE pode conduzir à redução das facturas de energia, aumentar os níveis de conforto e segurança nas escolas, bem como possibilitar aos consumidores de energia dum futuro próximo, as crianças, uma melhor aprendizagem sobre as questões da energia.
Conscientes desta situação, a Agência para a Energia (ADENE) e a AREAC colaboraram num projecto que pretende criar uma Rede de Eficiência Energética em Escolas do 1º Ciclo.
Estão concluídos os diagnósticos energéticos efectuados às escolas: EB1 de Santa Cruz e EB1 de Casais de Eiras, em Coimbra; EB1 de Góis e EB1 de Vila Nova do Ceira, em Góis; Santa Rita e Jardim de Infância do Regueiro, na Lousã; EB1 de Miranda do Corvo e EB1 de Rio de Vide, em Miranda do Corvo; EB1 de Montemor-o-Velho e EB1 do Seixo, em Montemor-o-Velho; EB1 da Graça e EB1 de Vila Facaia, em Pedrógão Grande.
Destacam-se de seguida algumas das recomendações gerais sugeridas, de aplicação imediata ou a pensar em futuras remodelações da escola:
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Substituir as lâmpadas incandescentes convencionais por lâmpadas fluorescentes compactas, em locais com mais de duas horas de utilização diária;
- Substituir os balastros tradicionais por balastros electrónicos na iluminação fluorescente;
- Utilizar luminárias com superfícies reflectoras que distribuam uniformemente o fluxo luminoso;
- Substituir a iluminação exterior existente por lâmpadas de vapor de sódio e instalar fotocélulas para restringir a iluminação exterior apenas a horas em que não há luz natural;
- Substituir o vidro simples por vidro duplo. Se for necessário substituir a caixilharia recomenda-se a de PVC ou em alternativa, alumínio com corte térmico;
- Optar por sistemas de aquecimento com recurso a fontes renováveis, ou em alternativa, sistemas de aquecimento com caldeira a gás ou sistemas do tipo radiador com acumulação térmica;
- Isolar termicamente as paredes exteriores simples, preferencialmente pelo exterior das mesmas;
- Isolar termicamente a esteira horizontal sempre que a cobertura seja inclinada ou isolar termicamente a cobertura segundo as suas vertentes, no caso de não existir esteira horizontal.
A AREAC disponibiliza-se para prestar auxílio aos municípios na introdução das medidas de eficiência energética apontadas.

 

 

 

 

 

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Última actualização 02/05/2006